sábado, 7 de novembro de 2009
Postado por Paulo Coelho em 07 de novembro de 2009 às 00:05
Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que agora se dedicava a ensinar o zen budismo aos jovens.
Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um guerreiro - conhecido por sua total falta de escrúpulos - apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento, e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante.
O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo, e aumentar sua fama.
Todos os estudantes se manifestaram contra a idéia, mas o velho aceitou o desafio.
Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos - ofendendo inclusive seus ancestrais.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
Desapontados pelo fato de que o mestre aceitara tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram:
“Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?”
“Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?”, perguntou o samurai.
“A quem tentou entregá-lo”, respondeu um dos discípulos.
“O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos”, disse o mestre. “Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo”.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Brasileiros Dupla Face
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o antropólogo Roberto DaMatta afirma que a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que Jesus Cristo, na política brasileira, teria que fazer aliança com Judas para ter governabilidade "é a constatação da nossa face dupla".
"De perto, a declaração pode parecer horrível. De longe, é a constatação da nossa face dupla, das nossas cumplicidades com o partido que não ia roubar nem deixar ninguém fazê-lo, mas o fez o mensalão; ressuscitou Sarney e quejandos, tem desmoralizado o Congresso; enfim, o nosso lado que odeia a lei valendo para todos - esse Judas dentro de cada um de nós que não quer mudar o 'você sabe com quem está falando?' Já do outro lado há o Jesus dos pobres e dos famintos, dos honestos cordeiros seguidores da lei", disse o antropológo por e-mail ao jornal.
DaMatta ainda comentou ainda a política de aliaças do governo. "Um dos problemas no nosso 'liberalismo' é que não temos partidos políticos e oposição. A política brasileira de distingue por dissolver em ácido todas as ideologias e todo o formalismo partidário. Nela, os laços pessoais passam por cima de quase tudo. E, em nome do possível, do realismo, fazemos tudo e deixamos tudo para o amanhã: esse nosso grande Judas", disse à Folha.
Fonte: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4058390-EI7896,00-Declaracao+de+Lula+constata+nossa+face+dupla+diz+antropologo.html